Ultrassonografia pulmonar já é realidade na medicina veterinária.

Cada vez mais estudos chegam para comprovar a eficácia da ultrassonografia como ferramenta no diagnóstico de enfermidades pulmonares. Neste post apresento como monitorar um edema pulmonar cardiogênico através do ultrassom pulmonar em cães. Esse post baseou-se em um artigo recente (publicado nesse ano de 2020).

Em cães, a insuficiência cardíaca congestiva esquerda (ICCE) tipicamente se manifesta com edema pulmonar devido à elevação na pressão hidrostática no átrio esquerdo e vasos sanguíneos pulmonares.


A radiografia torácica, tradicionalmente, é a ferramenta utilizada no diagnóstico e acompanhamento dos cães com manifestações clínicas e achados em exame físico compatíveis com edema pulmonar. Porém, essa técnica de diagnóstico apresenta algumas desvantagens, como por exemplo:

  • Necessidade do posicionamento do paciente em decúbito;

  • Remoção do paciente da câmara de oxigênio, podendo acarretar hipoxemia e distrição respiratória.

Portanto, o uso da ultrassonografia aparece como ferramenta poderosa para detectar um edema pulmonar.


Mas como detectar um edema pulmonar ao ultrassom?

Em uma das minhas lives eu falei sobre isso! Por isso, assine o canal do ULTRAFORPET no YouTube e se atualize!


Em resumo: realizamos a identificação das linhas B que suspeitamos do diagnóstico e associamos ao quadro clínico e histórico do animal.

E você sabe o que são essas linhas B?

As linhas B são artefatos hiperecogênicos verticais de base estreita que se estendem da superfície pulmonar em direção ao campo distal da imagem sem se dissipar, e que se movem em sincronia com os movimentos respiratórios.


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Quando há interface ar-líquido encontrado no interstício ou alvéolos pulmonares. Linhas B podem estar presentes no edema pulmonar cardiogênico, pneumonia e contusões pulmonares em cães e gatos.


Lembrando que linhas B isoladas também podem estar presentes em cães com pulmões radiograficamente normais.


Em humanos, o ultrassom pulmonar seriado é utilizado com sucesso para monitorar pacientes com edema pulmonar, sendo possível visualizar decréscimo no número de linhas B em horas e resolução em dias de tratamento com diuréticos.



E sobre o artigo de Murphy et al. (2020)? Eu separei as seguintes conclusões:

  • Tanto a Radiografia quanto Ultrassom detectaram redução significativa no edema, após tratamento com diurético injetável, apresentando taxas de 75 a 95% de melhora dependendo do ponto de avaliação no Ultrassom.

  • A radiografia detectou melhora inferior em região cranial, cerca de 29%, sugerindo a possibilidade do ultrassom ser superior da detecção da presença ou ausência de edema nos quadrantes cranial e médio.

  • Nos quadrantes peri hilar e caudal os resultados foram semelhantes entre as técnicas.

  • Foi notada diferença no padrão da distribuição do edema pulmonar quando comparados ultrassom e radiografia:

  • Ao ultrassom, o aspecto do edema se dá de forma mais difusa e simétrica, com distribuição de linhas B por todos os quadrantes avaliados;

  • A radiografia indicava edema mais severo em pulmão direito;

  • Supõe- se que que a diferença possa estar na impossibilidade do ultrassom em detectar o edema em regiões mais centrais do pulmão.


Os resultados apresentados por Murphy et al. (2020) sugerem que o ultrassom torácico pode ser ferramenta prática e efetiva para monitorar paciente com edema pulmonar cardiogênico.


Esse tipo de avaliação foi desenhado principalmente para o intensivista, porém, eu verifico que muitos ultrassonografistas tem interesse em aprender essa técnica, principalmente aqueles que trabalham com internações.



E quero ressaltar aqui:

Esse exame não é olhadinha, é uma técnica que exige estudo e emissão de um relatório.

Espero que esse conteúdo tenha sido útil pra você! Viu como pode ser importante aprender essa técnica e poder auxiliar os pacientes em sua rotina?

Referência

Murphy, SD, Ward, JL, Viall, AK, et al. Utility of point‐of‐care lung ultrasound for monitoring cardiogenic pulmonary edema in dogs. J Vet Intern Med. 2020; 1– 10. https://doi.org/10.1111/jvim.15990

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