Complicações pós OSH

Esse material é exclusivo para Veterinários.


Vamos falar sobre um procedimento cirúrgico bastante frequente na rotina veterinária, a ovariohisterectomia (OSH).


Esse procedimento é muito importante para a saúde da fêmea, pois além de evitar piometra, as cadelas castradas apresentam menor incidência de câncer de mama.

E como qualquer procedimento cirúrgico, envolve riscos e complicações cirúrgicas e anestésicas.


Dentre as complicações pós OSH mais frequentes, vemos hemorragias (dos pedículos ovarianos, do ligamento largo do útero, do coto uterino), síndrome do ovário remanescente, piometra de coto uterino, aderências, granuloma, hidronefrose e incontinência urinária.



Outras possíveis complicações incluem edema no local da incisão, seroma, infecção e deiscência da sutura abdominal.


Materiais cirúrgicos como fios de sutura orgânicos e não absorvíveis (ex: algodão e seda) costumam desencadear reação tecidual intensa, com resposta inflamatória exuberante. Além disso, propicia acúmulo de fluido, o que favorece desenvolvimento microbiano. Materiais com gaze e compressas, encontrados como corpos estranhos pós-cirúrgicos mais frequentes, os chamados gossipibomas, também constituídos basicamente de algodão, podem levar a formação de granulomas e tratos fistulosos. O náilon é não absorvível, agindo como fator irritativo permanente, cronificando a resposta inflamatória local e predispondo à formação de granulomas.


A síndrome do ovário remanescente é uma complicação pós-cirúrgica que ocorre com maior frequência em gatas que em cadelas, e é mais comum no lado direito devido ao posicionamento mais cranial do ovário direito. Pode resultar da queda de uma pequena porção de tecido ovariano no interior da cavidade peritoneal logo após a exérese dos ovários, ou surgir a partir de um tecido residual ovariano em uma localização diferente da região normal, como no interior do ligamento ovariano, e este pode se tornar funcional em qualquer momento.

As manifestações clínicas das fêmeas que apresentam a síndrome do ovário remanescente incluem manifestações clínicas de proestro ou estro, como corrimento vaginal, edema vulvar e alterações comportamentais.

A confirmação diagnóstica pode ser feita por meio de citologia vaginal, testes hormonais, ultrassom abdominal e laparotomia exploratória, sendo a correção cirúrgica.


Associada à síndrome do ovário remanescente e/ou tecido uterino não removido por completo na cirurgia, pode ocorrer a Piometra de coto uterino. Resulta da inflamação e infecção bacteriana da porção do corpo uterino remanescente. O tecido ovariano remanescente através da secreção de hormônios, age no tecido uterino e pode levar à inflamação e infecção do coto.


A incontinência urinária ocorre com maior frequência em fêmeas castradas, sobretudo naquelas acima de 20 kg. A teoria mais aceita relaciona a incontinência urinária à OSH com a redução na concentração de estrógenos pós OSH.

É importante ressaltar que a incontinência urinária pode ter outras origens como processo inflamatório, adquirida e congênita e causas fisiológicas


A Hidronefrose pode decorrer da ligadura acidental ou trauma do ureter ao realizar a ligadura dos pedículos ovarianos ou do corpo uterino. A ligadura do ureter pode ser evitada esvaziando a bexiga antes de realizar o procedimento. Com a bexiga repleta, o trígono e a junção uretero-vesical são tracionados cranialmente, e os ureteres, neste caso, permanecem mais frouxos permitindo sua ligadura acidental.


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Referências

SILVEIRA, LF. Complicações pós-operatórias de Ovariohisterectomias eletivas: Relatos de caso. Trabalho de Conclusão de Curso – Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2015.

VASCONCELOS, EN. Complicações de ovariosalpingohisterectomia (OSH) em cadelas. Trabalho de Conclusão de Curso - Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual Paulista. Araçatuba, 2014.

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