Avaliação Ultrassonográfica de Testículos em cães

Não sei na sua rotina mas, na minha, a maioria dos meus pacientes são castrados, então não vejo tanta alteração....E sabia que é aí que está o problema?

Sabe o motivo? Se aparecer alguma coisa fora do que estou acostumada eu preciso estar preparada!

Lembre-se: Conhecimento traz segurança!

Foi pensando nisso que pensei nesse conteúdo:

A avaliação testicular permite a detecção de anormalidades focais e difusas do testículo tecido.


O parênquima testicular tem aspecto hipoecogênico, textura homogênea

A cápsula hiperecogênica corresponde às túnicas, a linha central ao mediastino e a estrutura hipoecogênica na região dorsolateral ao epidídimo.


O epidídimo pode ser identificado como uma estrutura moderadamente hipoecóica (em relação ao testicular parênquima), correndo ao longo do aspecto dorso-lateral do testículo. A cauda do epidídimo pode ser consistentemente visualizado no plano de imagem dorsal caudal ao testículo.

Medições do diâmetro do epidídimo para todas as raças variam de 0,6 a 1,3 cm (média de 0,88 [0,20] cm) para a cauda; 0,4 a 0,8 cm (média de 0,67 [0,16] cm) para a cabeça; e 0,2 para 0,7 cm (média de 0,39 [0,17] cm) para o corpo (Pugh et al. 1990).

Alterações que podemos encontrar:

  1. Degeneração ou Atrofia Testicular: causa desconhecida (pode ser devido aumento da temperatura escrotal; exposição à toxinas ou distúrbios endócrinos). Normalmente bilateral mas há casos unilaterais. Diminui o volume testicular e diminui a ecogenicidade.

  2. Torção do cordão espermático: aumento do volume testicular. A utilização do Doppler é importante para mostrar ausência de fluxo sanguíneo para dentro do testículo afetado. Em casos de torção incompleta nota-se uma perfusão reduzida.

  3. Orquite: Em casos de orquite, o fluxo sanguíneo para a artéria testicular está aumentada, bem como o IR (índice de resistividade) e IP (índice de pulsatilidade) quando comparado ao testículo normal. No Doppler observa-se aumento da perfusão do parênquima.

  4. Neoplasia: Não há informações sobre o fluxo arterial testicular em casos de neoplasia testicular; no entanto, Doppler colorido mostra um aumento no fluxo sanguíneo dentro e em torno da maioria dos tumores. Embora isso seja útil para detecção de tumor, as alterações observadas não são específicas para tipo de tumor.

Embora a ultrassonografia no modo B seja bastante eficaz para detectar lesões em testículo, os recursos disponíveis nos equipamentos atualmente e os estudos que tem sido feitos sobre o fluxo sanguíneo arterial auxiliam potencialmente para o fechamento diagnóstico.

Então, bora aprender a dominar esses recursos!

Referências

DE SOUZA, M. B. et al. Ultrasonography of the prostate gland and testes in dogs. In Practice, v. 39, n. 1, p. 21-32, 2017. https://doi.org/10.1136/inp.i6054

PUGH, C. R.; KONDE, L. J.; PARK, R. D. Testicular ultrasound in the normal dog. Veterinary Radiology, v. 31, n. 4, p. 195-199, 1990. https://doi.org/10.1111/j.1740-8261.1990.tb01810.x

12 visualizações0 comentário